ANIMAIS SELVAGENS / EXÓTICOS

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CASO CLÍNICO I - PEQUENOS MAMÍFEROS
 
 
  Afecção da Glândula Ventral em um Esquilo da Mongólia (Meriones unguiculatus).
 
 

 
Nome popular: Esquilo da Mongólia, Gerbil

Nome científico: Meriones unguiculatus

 

Os pequenos roedores (ex. Esquilo da Mongólia, Porquinho da Índia, Chinchila, Hamster e etc...) são animais de estimação muito populares (HILLEY and QUESENBERRY, 1997). Estes, são nativos da Ásia – Desertos da Mongólia e da China. São animais pequenos (machos 46 a 131g e fêmea 50 a 55g), ativos dia e noite e possuem grande agilidade em escalar. Geralmente são animais dóceis quando (WEST, 1991; ALDERTON, 1996; HILLEY and QUESENBERRY, 1997; QUESENBERRY, 1997). São muito territoriais na natureza. Em cativeiro, devem ser mantidos sozinhos para evitar a ocorrência de canibalismo (quando mantidos com outro macho ou com um par incompatível) (HILLEY and QUESENBERRY, 1997). Segundo QUESENBERRY (1997), para mantê–los em grupos com sucesso, os animais devem ser introduzidos na mesma gaiola antes da puberdade (8 meses). Estes, serão compatíveis e monogâmicos, se um vier a óbito, será quase impossível a sobrevivência do outro.

Os Esquilo da Mongólia é mais resistente a doenças que os hamsters, contudo quando idosos podem sofrer de muitas doenças neoplásicas ou degenerativas. (HILLEY and QUESENBERRY, 1997). Quando comparado com outros roedores, apresentam uma vida mais longa, variando entre 2 a 4 anos. (QUESENBERRY, 1997). Devido ao fato destes animais habitarem regiões desérticas, suas necessidades de água são relativamente baixa, pois obtém a maior parte da água de processos metabólicos e da vegetação que ingerem. (HILLEY and QUESENBERRY, 1997; QUESENBERRY, 1997).

Devemos evitar manusea -los pela cauda, pois a pele pode se soltar levando à exposição dos ossos e músculos que se tornarão necróticos. Este coto pode eventualmente cair, mas deverá ser amputado para evitar infecções ou traumas (QUESENBERRY, 1997).

Uma característica anatômica destes animais é presença de glândulas ventrais e dorsais. A primeira está localizada em uma área de coloração marrom - alaranjada e alopécica central do abdome em ambos os sexos, a segunda está localizada na região lateral do dorso. Estas estruturas são compostas por uma grande glândula sebácea que está sob o controle dos hormônios gonadais. No macho púbere, as glândulas ventrais começam a crescer e a produzir óleo. Os esquilos podem ser visto freqüentemente esfregando sua barriga sobre objetos, e isto pode ser uma forma de marcação territorial (QUESENBERRY, 1997; HILLEY and QUESENBERRY, 1997). Em animais idosos, estas glândulas podem se tornar infectadas ou neoplásicas, particularmente nos machos. As glândulas infectadas usualmente responde à aplicação tópica de medicamentos como corticosteróides e antibióticos (HILLEY and QUESENBERRY, 1997). A remoção cirúrgica é a opção para os casos neoplásicos (WEST, 1991).

A neoplasia de glândula ventral é caracterizada pelo crescimento da glândula com bordas irregulares. Microscopicamente há uma marcada anisocitose e propriedades de coloração alterada. O citoplasma pode estar granulomatoso a vacuolizado, também é possível a visualização de células escamosas carcinogênicas. (HANES, 1999).

Por se tratar de animal  extremamente estressado e geralmente senil, qualquer procedimento clínico, poderia levá-lo o estresse agudo e óbito por parada cardíaca irreversível. Desta maneira, as alternativas de diagnóstico auxiliar e terapêutica, ficam limitadas. A falta de sucesso terapêutico pode ocorrer da dificuldade em manejar este paciente para realização do curativo e medicações. Em casos neoplásicos, há piora aparente do quadro, mesmo com a realização do tratamento. Com certeza, a nutrição destes animais será essencial para estatus imunológico adequado e aumento de sobrevida. Além disso, uma observação mais cuidadosa por parte dos proprietários possibilita um atendimento médico veterinário mais precoce, aumentando as chances do sucesso terapêutico.

Edição: MV Cristiane Sella Paranzini   CRMV Pr 6019



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

HANES, M. Desease of Gerbils (Meriones unguiculatus). Santo Antonio, Texas: POLA, 1999. Disponível em <http://www.afip.org/vetpath/POLA/99/1999-POLA-Meriones.htm> acesso em : 29 de setembro de 2003, às 14 horas, 04 minutos e 12 segundos.

 

WEST, C. D. Gerbils. In: BEYNON, P. H.; COOPERS, J. E. Manual of Exotic Pets. Barcelona, Espanha: Grafos, 1994. 31 – 35 p.

 

ALDERTON, D. A Petkeeper´s guide to Rabbits and Guinea Pigs. Blacksburg, VA: Tetrapress, 1986. 115 p.

 

QUESEMBERRY, K. Medical Manegement of Gerbils and Guinea Pigs. In: The 21st Annual WalthanÒ / OSU Symposium For The Treatment Of Small Animall Desease. 21. Proceedings ed., Ohio, 1997. 51 – 55 p.

 

HILLYER, E. V.; QUESENBERRY, K. E. Ferrets, Rabbits and Rodents: Clinical Medicine and Surgery. Philadelphia, Pensilvânia: W. B. Saunders company, 1997. 432 p.

 

   

 

 

 

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